O envelhecimento é um aspecto transacional, não começa, como muitas pessoas acreditam, a partir dos 60 anos. O envelhecimento percorre a infância e perdura até o indivíduo idoso.

O cérebro, assim como os músculos, necessita estar sempre em constante exercício. Ele se desenvolve a partir de demandas, se o indivíduo habita um ambiente relativamente estimulante para desempenhar múltiplas tarefas como atividades motoras,  linguagem, memória e concentração, a tendência é que haja o desenvolvimento necessário, caso contrário, o cérebro atuará de forma econômica e se reprogramará de forma inteligente, não demonstrando mais tanta eficiência para desempenhar determinadas tarefas.

Existem meios de estimulação cognitiva, o primeiro deles é a estimulação remediativa, ou reabilitação neuropsicológica, que destina-se a indivíduos com lesões adquiridas, como por exemplo micro acidente vascular cerebral (AVC), ou pacientes não responsivos ao tratamento medicamentoso durante anos, que por exemplo, têm queixa de que a leitura nos dias atuais não apresenta a mesma qualidade como no passado, neste caso, se faz necessária a reabilitação para compreensão de texto.

O segundo meio é a habilitação neuropsicológica, destina-se a pessoas que não tiveram a oportunidade de desenvolver determinadas funções cognitivas. A pessoa tem a necessidade, por exemplo, de ser mais habilitada para desenvolver as funções executivas, aprender a se organizar, aprender a hierarquizar, controlar impulsos, flexibilizar a mente e memorizar uma série de informações ao mesmo tempo, para que seja habilitada a exercer múltiplas tarefas.

Por último, a estimulação preventiva destina-se a estimular os indivíduos de acordo com a sua faixa etária e época de desenvolvimento, não se trata de acelerar o processo, mas sim, de evitar possíveis atrasos na aprendizagem.

Para o idoso, é inevitável a perda cognitiva, mas que não necessariamente culminará no declínio cognitivo ou na demência, com a estimulação é possível criar uma reserva cognitiva que suavizará a demanda para que a perda não seja sentida de forma tão consistente.